domingo, 30 de novembro de 2014

Análise: Argo (2012)


Ficha Técnica:
Argo (2012)
Duração: 120 minutos
Direção: Ben Affleck
Roteiro: Chris Terrio
Elenco: Ben Affleck, John Goodman, Alan Arkin, Bryan Cranston, Victor Garber

Argo tem seu início com cenas da Revolução Islâmica de 1979. Um grupo de manifestantes acaba invadindo a embaixada americana e tomando todos como reféns, exceto um grupo de seis diplomatas que consegue escapar e se refugiar na casa do embaixador canadense em Teerã. Apesar da tentativa de destruir os documentos confidenciais, os revolucionários descobrem que havia um livro com a identificação de todos os que trabalhavam lá.

O senso de urgência pela necessidade de ser executado um plano rápido para a salvação dos seis refugiados fica ainda maior com essa descoberta. Tal livro passou por uma fragmentadora de papel antes da fuga deles mas algumas crianças são colocadas para remontá-lo. Com isso, a CIA começa a bolar planos estapafúrdios para resgatá-los, entre eles:  fazer eles fugirem em bicicletas (e pedalar mais de 500 km até a fronteira), disfarçados de professores (sendo que não existiam mais professores estrangeiros no país), entre outros.

A "melhor má-idéia" foi fazer um filme de mentira. Com isso, Tony Mendez (Ben Affleck) vai solicitar a ajuda de pessoas envolvidas com o cinema e conhece Lester Siegel (Alan Arkin) e John Chambers (John Goodman). Após ler alguns roteiros empoeirados, eles descobrem Argo, uma ficção-científica que necessitaria de locais de filmagem exóticos. A partir daí, começam a produzir o filme como se real fosse, e definem que os reféns serão utilizados como pessoas envolvidas com na produção (roteirista, diretor, produtor, etc) e que estão em Teerã em busca de uma locação para filmá-lo.

O grande trunfo do filme é a sua montagem, assinada por William Goldenberg. Arrisco-me a dizer que Argo não passaria de um filme comum se não fosse a mão de Goldenberg, principalmente na hora final do filme. Os últimos 30 minutos são de uma tensão absurda, e grande parte desse mérito deve ir para o montador, competentíssimo em seu departamento. A atuação de Alan Arkin também merece ser lembrada. Mesmo aparecendo pouco em tela, o faz de maneira convincente quando é requisitado (inclusive, vale destacar também a participação de John Goodman, que é um dos atores mais carismáticos do cinema americano).

Já a atuação do Ben Affleck...É difícil conseguir descobrir o porquê de ele se dar o papel principal. Ele não tem carisma, não tem profundidade, não parece estar sofrendo com uma situação que pode custar a vida de sete pessoas (incluindo a dele próprio). Esse definitivamente é o ponto fraco do filme.

Tenho alguns amigos que acham que eu odeio Argo. A verdade passa longe disso. É um filme competente - e grande parte do mérito, como já exposto, é da montagem -, mas nunca, jamais, deveria ter ganho o Oscar de Melhor Filme. Ainda mais em um ano que tinha Django Livre (Django Unchained, 2012), As Aventuras de Pi (Life Of Pi, 2012), Amor (Amour, 2012) e A Hora Mais Escura (Zero Dark Thirty, 2012) como concorrentes. Isso piora quando vemos que Affleck é um diretor em crescimento, que, à época que dirigiu Argo, tinha dois bons filmes em seu currículo: Medo da Verdade (Gone Baby Gone, 2007) e Atração Perigosa (The Town, 2010). Justamente no pior filme de sua curta carreira ele recebe um reconhecimento desmerecido e descabido, quase arruinado pela sua própria atuação caricata.

5 comentários:

  1. "Tenho alguns amigos que acham que eu odeio Argo"

    Eu tenho certeza

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  2. O Oscar quase nunca premia os melhores de verdade. "Argo" ter ganhado, ainda mais anunciado pela Michelle Obama me deu enjoos, O filme é apenas bom!

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  3. Argo, em muito pra mim, não passa de mais um filme que enaltece os EUA, e só por isso ganhou. O filme não é bom, pelo menos não como Django e Aventuras de Pi. Não tem um enredo envolvente como os dois filmes citados. Já faz muito tempo, mas ainda é deprimente...

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